Como a guerra com o Irã resultou em uma conta de reparos energéticos de US$ 25 bilhões?

Economies.com
2026-03-26 18:36PM UTC

A guerra no Oriente Médio causou graves interrupções nas cadeias globais de suprimento de petróleo e gás, com danos e paralisações afetando instalações essenciais, como usinas de gás natural liquefeito, refinarias e locais de armazenamento de combustível. Isso elevou os custos estimados de reparo para cerca de US$ 25 bilhões até o momento, segundo a Rystad Energy, com expectativas de novos aumentos.

As estimativas sugerem que a maior parte desses custos será destinada a obras de engenharia e construção, seguida por gastos com equipamentos e materiais.

O Catar sofreu o impacto mais severo dos danos.

A cidade industrial de Ras Laffan foi a mais afetada, com a destruição das unidades de GNL S4 e S6, o que levou à declaração de força maior e à redução da capacidade de produção em 17%, o equivalente a 12,8 milhões de toneladas por ano.

Apesar da escala do investimento necessário, a recuperação total poderá levar até cinco anos devido à disponibilidade limitada de grandes turbinas a gás necessárias para as operações, que são produzidas por apenas três empresas globais e já enfrentam atrasos de vários anos impulsionados pela demanda de centros de dados e pela transição energética.

Restrições estruturais dificultam a recuperação

A recuperação do setor energético do Golfo não deverá depender apenas do financiamento, mas também de restrições estruturais, uma vez que algumas instalações podem ser reparadas em poucos meses, enquanto outras podem permanecer inativas durante anos.

Dois casos se destacam como particularmente preocupantes:

Campo de South Pars no Irã

Instalações de Ras Laffan no Catar

No Irã, as sanções complicam ainda mais a situação, forçando a dependência de empresas nacionais e chinesas, o que pode atrasar os esforços de reparo e aumentar os custos.

Bahrein e o impacto do momento oportuno

No Bahrein, a refinaria de Sitra, operada pela Bapco, sofreu danos significativos após ser alvo de dois ataques, afetando unidades de destilação e tanques de armazenamento.

O problema é agravado pelo momento do ataque, que ocorreu logo após a conclusão de um projeto de modernização de US$ 7 bilhões, interrompendo a capacidade recém-adicionada e atrasando os retornos esperados.

Níveis variáveis de danos em toda a região.

Outros países, incluindo os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, o Iraque e a Arábia Saudita, sofreram interrupções menos severas, mas a velocidade da recuperação depende muito da capacidade local de engenharia e contratação.

A Saudi Aramco oferece um exemplo notável, tendo retomado rapidamente as operações nas instalações de Ras Tanura graças a equipes de manutenção pré-estabelecidas.

Prioridades para a próxima fase

Espera-se que, na próxima fase, as empresas se concentrem em:

Reiniciar campos existentes em vez de desenvolver novos projetos.

Acelerar os trabalhos de inspeção, engenharia e comissionamento.

Aumento da demanda por empreiteiros e fornecedores de equipamentos.

Em meio às sanções em vigor, empresas locais e asiáticas provavelmente garantirão a maior parte dos trabalhos de reconstrução no Irã.

O ritmo da recuperação continua dependendo da capacidade de execução e da disponibilidade de equipamentos, bem como dos desdobramentos da própria guerra, o que pode atrasar o retorno aos níveis de produção pré-conflito por um período prolongado.

Wall Street recua devido à incerteza sobre a guerra com o Irã.

Economies.com
2026-03-26 16:45PM UTC

Os principais índices de Wall Street caíram na quinta-feira, após ganhos na sessão anterior, com os investidores mantendo-se cautelosos em meio a sinais contraditórios dos Estados Unidos e do Irã sobre as perspectivas de redução das tensões no Oriente Médio.

O índice Dow Jones Industrial Average caiu cerca de 202 pontos, ou 0,45%, enquanto o S&P 500 recuou 0,77% e o Nasdaq teve queda de 1,05%.

Um alto funcionário iraniano afirmou que a proposta dos EUA para encerrar a guerra, que já dura quase quatro semanas, é "unilateral e injusta", ressaltando que o caminho diplomático não está encerrado, apesar da ausência de um plano realista para negociações de paz.

Analistas afirmaram que a incerteza continua sendo o principal fator da volatilidade do mercado, já que ainda não está claro se negociações reais estão ocorrendo entre Washington e Teerã, o que leva os mercados a oscilarem repetidamente. Apesar disso, os mercados permanecem relativamente resilientes devido ao receio dos investidores de perderem os ganhos potenciais caso a guerra chegue ao fim.

Ações de tecnologia pressionam o mercado.

As ações de tecnologia sofreram forte pressão, com o setor caindo cerca de 1,2%, enquanto o Índice de Semicondutores da Filadélfia recuou cerca de 2,7% após três sessões de ganhos.

As ações da Meta e do Google também caíram após uma decisão judicial relacionada a casos de vício em redes sociais, afetando o setor de serviços de comunicação.

Energia sobe com a valorização do petróleo.

Em contrapartida, os preços do petróleo subiram mais de 4%, impulsionando o setor de energia a se tornar o setor com melhor desempenho dentro do índice S&P 500.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertou que a escalada do conflito e o fechamento do Estreito de Ormuz podem levar a um aumento acentuado da inflação e afetar negativamente o crescimento global.

O Federal Reserve está sob pressão.

Esses acontecimentos colocaram os bancos centrais, liderados pelo Federal Reserve dos EUA, em uma posição difícil em relação às taxas de juros, já que os mercados não esperam mais nenhum corte nas taxas este ano, depois de terem previsto dois cortes antes da guerra.

Os dados econômicos mostraram um ligeiro aumento nos pedidos de auxílio-desemprego, indicando uma força contínua no mercado de trabalho, o que dá ao Federal Reserve espaço para manter sua atual política monetária enquanto monitora os desdobramentos da crise.

Movimentos notáveis das ações

As ações da Olaplex dispararam 51% depois que a Henkel concordou em adquirir a empresa por US$ 1,4 bilhão.

As ações de mineradoras de ouro caíram devido à queda de mais de 1% no preço do ouro.

De modo geral, o número de ações em queda superou o de ações em alta tanto na Bolsa de Valores de Nova York quanto na Nasdaq, refletindo o sentimento de cautela que domina os investidores em meio à incerteza geopolítica contínua.

O níquel sobe ligeiramente após a imposição de imposto sobre exportações na Indonésia.

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2026-03-26 15:23PM UTC

Os preços do níquel dispararam durante as negociações de quinta-feira, depois que a Indonésia, maior produtora mundial do metal, aprovou a imposição de impostos sobre as exportações do material usado em baterias.

Na quarta-feira, os contratos futuros de níquel subiram até 2,7% na Bolsa de Metais de Londres, depois que a ministra das Finanças, Sri Mulyani Indrawati, anunciou que o presidente Prabowo Subianto havia aprovado a imposição de taxas de exportação sobre carvão e níquel.

O ministro observou que as discussões sobre as taxas de impostos exatas ainda estão em andamento.

Nos Estados Unidos, na quinta-feira, os contratos futuros de níquel à vista subiram 2,2%, para US$ 17.190 por tonelada, às 15h21 GMT.

Bitcoin sob pressão perto de US$ 70.000 à medida que as esperanças de paz diminuem.

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2026-03-26 12:52PM UTC

O Bitcoin foi negociado abaixo do nível psicológico de US$ 70.000, registrando uma queda de cerca de 1,6% nas últimas 24 horas.

Esse desempenho ocorreu após uma alta durante a noite que levou a criptomoeda a cerca de US$ 71.500, impulsionada pela esperança de um avanço diplomático no conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã. No entanto, a incerteza subsequente sobre o rumo das negociações de paz interrompeu esse ímpeto.

A renovada incerteza fez com que os preços do petróleo subissem novamente para cerca de US$ 103 por barril na manhã de quinta-feira, afetando as ações asiáticas e o sentimento geral do mercado.

Resiliência apesar da volatilidade

Apesar da volatilidade recente, o Bitcoin demonstrou uma resiliência notável, superando o ouro durante a última onda de tensões geopolíticas, mesmo permanecendo em uma tendência corretiva desde sua máxima histórica em outubro de 2025, acima de US$ 126.000.

A capitalização total do mercado de criptomoedas está atualmente em torno de US$ 2,48 trilhões, uma queda de aproximadamente 1,7% no último dia. O Bitcoin também caiu mais de 40% em relação ao seu pico, mas essa queda ocorreu em meio a uma forte demanda institucional.

Fluxos institucionais contínuos

Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram cinco semanas consecutivas de entradas líquidas, totalizando US$ 2,5 bilhões em março, liderados pelo fundo IBIT da BlackRock, marcando a sequência mais longa de entradas desde julho de 2025.

Os dados indicam que o interesse institucional não diminuiu significativamente, com os fundos registrando entradas de cerca de US$ 458 milhões no início deste mês, após um período de saídas.

Isso reflete a contínua rotação de capitais em resposta aos desenvolvimentos macroeconômicos, visto que o Bitcoin é cada vez mais considerado um ativo sensível às taxas de juros e à liquidez global.

acumulação a longo prazo

Os dados on-chain, por sua vez, mostram saídas líquidas de Bitcoin das exchanges no último mês, indicando uma mudança para investimentos de longo prazo, à medida que os investidores transferem seus ativos para fora das plataformas centralizadas.

Essa transição da especulação de curto prazo para a acumulação gradual pode sustentar uma futura tendência de alta, especialmente com a continuidade da entrada de recursos.

Visão técnica

A analista Rachel Lucas afirmou que o apoio institucional permanece forte, mas uma ruptura técnica ainda não foi confirmada, observando que uma movimentação acima de US$ 73.500 com volumes de negociação expressivos continua sendo uma condição fundamental para uma clara tendência de alta.

Ela acrescentou que os investidores institucionais estão tratando as quedas atuais como oportunidades de compra, em vez de sinais de saída, apesar do preço ter caído mais de 40% em relação ao seu pico.

À medida que a relação entre o Bitcoin e os mercados macroeconômicos mais amplos continua a evoluir, a tendência atual permanece sendo uma recuperação dentro de uma faixa lateral, em vez do início de uma onda de alta confirmada.